Brasil e Mercosul começam a defender suas terras
Por Felipe Amin Filomeno
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Estrangeiros (especialmente chineses) fazem aquisições maciças. Processo afeta agricultura familiar, biodiversidade e segurança alimentar. Mas há alternativas
Nos últimos anos, tem ocorrido uma forte onda de aquisições de terra por estrangeiros nos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil. Entre as causas desta procura exacerbada por terra estão a crise mundial de alimentação e a crise financeira global iniciadas ao redor de 2008. Suas implicações são o aumento dos conflitos no campo e da fragilidade dos pequenos produtores rurais, a ameaça à soberania alimentar e a vulnerabilidade econômica dos países em desenvolvimento onde este processo tem acontecido de forma massiva. Por isso, no Brasil e na Argentina, autoridades governamentais têm adotado medidas para conter este movimento e mitigar seus efeitos negativos. No entanto, cuidados adicionais ainda precisam ser tomados, não só para evitar ameaças, mas também para converter esta situação em oportunidade para o desenvolvimento.
Em decorrência do crescimento econômico intenso na Ásia, as populações de países como a China passaram a consumir mais alimentos, especialmente proteínas animais, o que tem causado um aumento substancial no preço mundial dos alimentos. Neste quadro, a terra, como fator fundamental de produção de alimentos, tornou-se, mais do que nunca, ativo estratégico. Não surpreende, portanto, que grande parte desta onda de aquisições de terra seja capitaneada por chineses, que têm comprado grandes áreas cultiváveis na África e na América Latina, a fim de garantir a segurança alimentar de seu país. Para completar, em meio a uma crise financeira mundial, detentores de capital têm evitado aplicações em ativos de alto risco e aumentado seus investimentos em propriedade de terra devido à segurança e ao valor de longo prazo oferecidos. Como resultado, no Uruguai, por exemplo, o preço da terra cresceu 127% nos últimos quatro anos.